Por muito pouco eu não fui a neta mais nova da minha avó. Depois de mim nasceu a Aura, minha irmã, com menos de dois anos de diferença. Ela ganhou o posto de caçula, mas como nossa idade era muito parecida, fomos criadas como “pequenas da família”.

Isso inclui ganhar mais dinheiro que os outros, mais presentes, mais ovos de páscoa e menos culpa no cartório nas traquinagens. E crescemos assim, achando que tudo era fácil, até que minha prima mais velha engravidou.

bela

E aí nasceu a verdadeira estrela caçula do rolê, a Isabela. Quando a Bela nasceu eu tinha 15 anos e uma vontade reprimida que minha mãe tivesse outro filho pra eu cuidar. Então ela foi como minha irmãzinha mais nova desde sempre. Tudo começou a ser direcionado pra ela: os melhores presentes, os mimos, as festinhas, as bonecas que guardamos dos anos 80 e 90. Tudo!

E até hoje eu paro tudo pra fazer programas infantis tipo Parque da Mônica, apresentação de ballet e quadrilha da escolinha, que foi o que aconteceu nesse sábado. Foi aquela maluquice que festa de criança sempre é, gritaria, choro, comida engordativa e música da Xuxa, mas o que me deixou passada mesmo foi saber que naquele dia a Bela ganhava o primeiro celular da vida dela.

Ela tem 7 anos e agora sempre que eu quiser falar com ela posso mandar um sms ou ligar e dizer: “E aí, onde você tá?”. Não é assustador que alguém que você viu nascer na época em que celular era coisa que só as mães que trabalham muito tinham, e agora tem seu próprio telefone, pra ligar pras amigas e combinar de ir no parquinho?

Já falei que tô velha e vou continuar falando isso…