Minha mãe me criou da forma mais liberal possível. Tudo se explica pelo fato dela levar uma vida hippie, morando em Belém do Pará com as amigas, antes de eu nascer. Todos os valores que ela ganhou viajando pelo Brasil até chegar no Norte foram passados pra mim. Tipo vida simples mesmo, felicidade vinda das pequenas coisas.

Por ter crescido muito livre, sempre podendo fazer tudo, acabei tendo uma adolêscencia atípica. Quando todo mundo queria se revoltar e fazer mil coisas, eu não tinha a mínima vontade. Queria pirar em outras coisas, tipo viajar pra seguir os Hanson, fazer figurino de filmes e teatros na escola e escrever, desenhar, pintar uma parede.

E por ter ido sempre pro caminho do bem que dona Denise me mostrou, nunca tive vício em nada, assim como ela, que nem televisão assiste.

Mas desde pequena meu coração disparava quando passava do lado daquelas lojinhas estranhos, com roupas coloridas e amontoadas. Eu nunca entrava, mas não entendia porque meus olhos brilhavam quando viam estampas e brilhos pendurados em araras.

Precisei ficar mais velha pra desbravar uma dessas pela primeira vez. E pronto, encontrei meu único vício (até então, porque agora infelizmente sou dependente de refrigerante zero): BRECHÓ.

Não posso encontrar um no caminho e não me indiquem os seus favoritos! Se eu resolver entrar sou capaz de gastar todo o dinheiro que tenho e não tenho. Não existe comprar uma peça só, eu preciso de todas. E eu sei que chega quase a ser caso de tratamento. Mas o dinheiro da terapia é igual a tantos vestidos vintage…..

Escrevo isso porque acabei de encontrar um brechó no caminho de casa e, curiosa, resolvi parar para ver se era bom. Não preciso dizer que estou com dor no ombro de carregar uma sacola enorme com achados. Mas a dor verdadeira só chega dia 13, quando o cartão de crédito for descontado.

E vocês, tem vício em que? Será que se não for em brechó vocês podem me doar as roupas que herdarem das suas tias e avós?

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